domingo, 25 de junho de 2017

FRASES (157)


HISTÓRIAS DOS COBRADORES E VENDEDORES DE TELEMARKETING


1 - A cantora Denise Amaral é o "Tudo resolvido"

2 - O baterista Luiz Manaia e o Opala nos trinques

3 - A secretária do lar Amadja e a ida para Cuba.

4 - Eu, o HPA e o "obrigado, não quero ficar doente".

sábado, 24 de junho de 2017

DICAS (161)


SOLIDÁRIOS SINAIS DAS RUAS: A BANCA DA ILDA*
A BANCA HOJE PELA MANHÃ


* Deve sair em breve também na Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade:

A solidariedade se apresenta de forma deslumbrante aos nossos olhos. Os dos andares de baixo da escala social e seus exemplos para todos os demais são o que de mais intenso essa vida possui. A forma como conseguem resolver os percalços, as adversidades, as tais pedras no caminho é a mais límpida demonstração de que, nem tudo está definitivamente perdido. Quando o mundo se mostra de uma crueldade insana e doentia, exemplos pipocam entre os mais simples e renovam a esperança da solução estar tão perto de nossos olhos e nem assim muitos insistem em não tomar conhecimento.


Os exemplos existem aos borbotões. Cito somente um, fazendo com que tudo, todas e todos reflitam sobre como as ruas continuam sendo o grande e melhor reflexo das mais sábias decisões para com o destino dos claudicantes humanos sob a face da Terra. Pois bem, Ilda Viegas é jornaleira, tem duas bancas na cidade e uma delas, encravada no coração da Zona Sul, num dos lugares mais bucólicos desta Bauru Sem Limites, aos pés do seu bucólico e sempre único aeroporto, lá nos altos da avenida Pinheiro Brizola.
ESPEVITADA ILDA


Ali, a concretização da real possibilidade do congraçamento humano. Local de muito bate papo, um ainda possível debate de ideias e pensamentos variados e múltiplos. Vejo de tudo acontecendo nas beiradas desta banca. Sabiamente Ilda observa tudo ao seu modo e jeito. Uma danada, espevitada, lúcida, impávida e, também, calada e contida. Ela mais ouve que fala, mas quando fala, sempre ponderada, diz o necessário, o justo. Aquilo tudo propiciado por ela é simplesmente, numa simples comparação, um oásis dentro do caos de qualquer cidade. Transborda sinceridade e originalidade, algo tão em falta nos dias de hoje. É o que é e exatamente por causa disso, causa comoção no entorno.

É hoje uma espécie de mascote de tudo, todas e todos. Caiu nas graças dos remanescentes frequentadores de bancas de jornais e tudo o mais ainda pelas ruas. Os que não param para o papo e o diário cumprimento, buzinam, acenam, fazem sinais de fumaça. Pois bem, Ilda operou desses males acometendo mulheres maduras e está ausente de sua banca. O tempo mínimo de ausência é de um mês e sua preocupação era em não fechar as portas, pois suas contas continuam vencendo. Especulou das possibilidades e o resultado é o fruto de tudo o que plantou. Os amigos ali do dia a dia assumiram tudo e estão tentando manter o mesmo clima alegre e envolvente da proprietária.
DRI, A GERENTE


Ilda se recupera bem e inquieta, tenta se cuidar ao lado de seus cães. Na banca a gerente de tudo, outra alto astral, a Dri, abrindo a banca e indo para a outra, ao lado do Confiança Max. Na sequência chegam os amigos. De segunda a sexta, o bancário aposentado Roberto Maldonado fica nas manhãs e a tarde quem assume é a japonesa Elisa. Aos sábados e domingos, tudo fica a cargo do casal, Flávio, consultor de empresas na capital e sua noiva, Fabíola, trabalhando ali ao lado, na Cherry Signs. Na vigilância, os taxistas Dutra e Sidnei, espécie de cães de guarda do lugar. Na assessoria e área de comunicação a vizinha, quase parede meia com a banca, a artista plástica Viviane Mendes e na necessária assistência banheiristica, o Ico do Bar Aeroporto.

Todos cuidam de tudo, até do gato que mora embaixo da banca e de todos os cães de rua que ela alimenta. Ninguém pensa em receber nada, mas todos vicejam estampados nas faces, a alegria e algo do ensinamento plantado por essa periférica Ilda, que veio lá de longe, para plantar uma raizinha profunda de "paz e amor" bem no meio da região mais abastada da cidade, a da solidariedade humana. Só mesmo alguém como Ilda para juntar isso tudo e expor esse lado tão necessário de todos nós nos dias de hoje, a do compartilhar e do ser companheiro para ser feliz. Se alguém merece um título de Cidadã Bauruense esse alguém hoje é Ilda Viegas. Eu me derreto todo diante dela, do que faz, como faz, com quem faz e dos motivos de seu fazer.
OS NOIVOS FLÁVIO E FABÍOLA AOS FINAIS SEMANA
EU E ROBERTO MALDONADO SENDO ENTREVISTADOS DIANTE DA BANCA

sexta-feira, 23 de junho de 2017

DROS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (143)


ANA E A UNIMED: A CRISE NA SAÚDE NÃO É SÓ PÚBLICA – EIS A PROVA...*
* O texto é longo, mas vale a pena. Uma história mais do que pessoal, uma reclamação sendo também encaminhada para a Ouvidoria do referido hospital: ouvidoria@beneficenciabauru.com.br

Eis como tudo começou. Noite de quinta, Ana Bia tropeça em uma fiação na sala de seu apartamento. Ao cair, apoia violentamente o cotovelo no chão e, pronto, ploft, muita dor e contratempos. Prefere não buscar atendimento médico durante a noite e o fazemos no dia seguinte. Por volta das 15h estávamos, eu e ela, no guichê de atendimento da Beneficência Portuguesa de Bauru, ali na Rua Rio Branco. Poucas pessoas na sala de espera, mas um atendimento se arrastando. Pegamos a senha, aguardamos a chamada, preenchemos a ficha e esperamos. O plano da Ana na Unimed é o da universidade onde é funcionária, nele incluído dois dependentes. Ela se sente indisposta, mal posso me aproximar do seu lado esquerdo. Senta num dos cantos da sala e dorme sentada, encostada num pilar. Eu tenho que permanecer acordado, por se também dormir, talvez possam chamar seu nome e perdermos a vez.

Chamam para a triagem e ao entrarmos, medem sua pressão e temperatura. O atencioso plantonista nos diz, para esperar na sala do lado de fora, pois seremos chamados pelo nome, mas adianta: “Vai demorar, o médico do turno foi atender uma emergência e não tem hora para voltar”. Nem ouso perguntar se o médico não fica disponível somente para atender os atendimentos do plano de saúde, mas também sobe para os quartos dos pacientes internados em caso de algo mais urgente, pois é o que está mais do que claro, evidente. Antes de voltar para a espera, espio na sala do médico, vazia. Querendo dizer algo, Ana me puxa e voltamos para onde pacientemente outros tantos esperam o retorno do dito doutor.

Converso com outros ao meu lado, trocamos opiniões sobre os motivos da demora. Um deles me conta que ali perto, menos de 100 metros, a Unimed está prestes a terminar um imenso prédio para disponibilizar ali muitos consultórios. Uma imensidão, denominada por ele de “Castelo da Saúde”. Enquanto o Castelo é erguido, na boqueta de entrada do mais antigo hospital privado de Bauru, a demora é injustificável. Ela dorme só num dos cantos, pois tem receio de que em algum momento eu posso encostar em seu braço. O tempo passa e, para minha sorte, não saio sem algo para ler, assim termino a edição inteira da revista Piauí deste mês, algo que, acredito não teria tempo para fazê-lo em qualquer outra oportunidade (devo concluir ter sido vantajosa a espera?). Por volta das 17h20 chamam pelo nome de Ana, rapidamente a acordo e vamos para o atendimento.

Inacreditável. Ficamos mais de duas horas numa sala de espera com poucos pacientes, por volta de uma meia dúzia e ao explicar o motivo de sua estada, o médico, um clínico geral, decide pelo óbvio: “A senhora vai ter que tirar um RX”. Não demorou mais que um minuto para fazer o que esperávamos. Permanecemos plantados ali esperando um baita de um desnecessário tempo. Por mais que tentem me explicar, sendo um plano particular e não dos de baixo custo (e mesmo se o fosse, o tempo de espera é injustificável), lá fomos nós para o tal RX. Do tal médico, nenhuma reclamação, fez o que tinha que fazer e da forma mais adequada possível. No RX, quando lá chegamos, por volta das 17h40, tudo normal, atendimento rápido e eficiente. A senhora do balcão nos diz que, o dia não foi todo assim de calmaria e a fila de espera durante o expediente foi de 20 pessoas.

De lá, voltamos ao médico, que olhou a chapa pelo sistema deles, via computador e nos disse: “Vocês vão ter que aguardar lá fora, pelo que vejo deve ter trincado, mas só o ortopedista me dirá o que fazer”. Tudo bem, entendemos. Ele iria ligar para o especialista, atender outro tanto de pacientes, pois depois das 18h, o fluxo de pessoas que saem do horário de expediente de trabalho cresce e depois nos avisaria ali fora. Sentamos e aguardamos. Quando pouco antes das 19h, somos novamente chamados, a decisão é por colocar uma tala de gesso em seu braço e voltar amanhã após 8h, para o ortopedista decidir o que de fato será feito. Vamos para a Ortopedia e somos atendidos por um funcionário dos mais dedicados, desses com tarimba, gente que sabe o que faz e vale a pena citar seu nome, pois resolve, José Carlos Correa. Rápido e preciso, pede para voltarmos ao atendimento médico, pois com certeza, Ana iria sentir dor à noite e seria melhor tomar analgésicos. Aqui deixo a pergunta: Imaginem o tempo ganho se tivéssemos sido encaminhados de cara para as mãos deste profissional e se lá tivesse um médico especializado para nos atender? Reclamam do atendimento público, mas no privado a coisa se repete.

Voltamos ao plantão médico e somos atendidos por outro médico, um que acabara de entrar a partir das 19h. Somos um dos primeiros a ser atendidos e ao voltarmos do RX, já o fizemos pela parte interna, sem passar pelo pessoal aguardando na sala de espera, essa hora, já bastante movimentado. Ana toma dois analgésicos nas nádegas, reclama um pouco e pelo tempo que ali estávamos, desde 15h, decidimos dar uma passada na Padaria Copacabana na quadra de cima, pouco mais de cem metros do hospital. Um lanche e para nossa surpresa, quem lá estava? O médico, o que havia acabado de entrar no seu turno de trabalho. Eu e Ana simplesmente nos olhamos, enfim, ele, assim como nós, devia estar com fome, necessidades do corpo humano. Na volta para casa relembro com Ana uma história de quando desloquei o ombro e me cansei do atendimento da UNIMED, demoras intermináveis até ser atendido, algo não resolvido até hoje, tanto ali como no hospital deles lá na rodovia e fui achincalhado por ela, por ter ido procurar buscar resolver nos plantões lá no Posto de Saúde do Mary Dota. Pois lá, naquele dia, fui atendido mais rápido do que Ana o foi hoje, pelo seu plano Top na UNIMED. Voltamos calados.

Ela dorme mal, mas consegue encontrar posição e a deixo esticar o sono até perto das 9h30. A acordo e hoje, antes das 10h estávamos na Ortopedia da Beneficência. Lá ficamos sabendo que o atendimento ocorre diariamente até 10h30. Ufa! Estávamos dentro do horário. Aguardamos quase nada e ao adentrarmos a sala, um médico muito atencioso, Francisco Marques Bueno. Explica em detalhes o ocorrido, um osso fora do lugar, um tal de OLÉGRAMO e a musculatura comprometida. Se engessar pode ser que, em 30 dias, tenha que assim mesmo operar, pois pode calcificar fora do lugar. Recomenda uma cirurgia no tal osso, com um arame especial, para fixar as partes separadas. Pergunta se ela estava em jejum, pois queria fazer hoje à tarde. Ana estava, mas recua e ele fica de ligar e ver se pode fazer amanhã, sábado ou segunda.

Por fim, fará segunda. Hoje saímos de lá, sem nenhum tipo de reclamação. Ela na tipoia até segunda e com a cirurgia, deve pernoitar no hospital um dia, saindo no seguinte. Voltamos para casa. A reclamação, a mesma de todos os Postos de Saúde da rede Municipal desta Bauru: uma demora incrível entre o momento da chegada do paciente no hospital e seu atendimento e nem sempre, o profissional adequado para resolver de uma só vez o procedimento correto. Algo precisa ser feito e o será com denúncias como essa, mais e mais, tanto para esferas privadas, como as feitas via e-mail por mim, como para as públicas. Algo pode, deve e necessita ser melhorado. Algo poderia ser iniciado pelo primeiro atendimento, o da recepção, do encaminhamento na chegada. Ah, se tivessem nos orientado para encaminharmos diretamente para a Ortopedia, com certeza, não estaria aqui a reclamar e seria só elogios, mas...

Complementando as informações, Ana passa bem e está sob os cuidados até segunda-feira deste prestativo HPA.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (102)


SILÊNCIO, VEREADORES PENSANDO SE APÓIAM REDUÇÃO DE CARGOS COMISSIONADOS.

Não se fala em outra coisa na cidade nesses últimos dias, a Prefeitura Municipal de Bauru está encurralada e necessitando promover uma drástica, enorme, dantesca, pitoresca e peremptória REDUÇÃO NOS CARGOS COMISSIONADOS, aqueles que oneram e pouco produzem. Tudo devido a novas normas a que ela tem que submeter de não contratar desvairadamente e fora dos padrões estabelecidos. Saindo publicado hoje no Diário Oficial do município o ACEITE do prefeito, ou seja, se enquadra ou fenece. Demonstra estar sendo obrigado ao enquadramento. Guardião, o super-herói bauruense entra no circuito e dá o seu pitaco sobre contundente assunto: “O tema é para ampla discussão, mas me reservo a uma questão, a do posicionamento da Câmara dos Vereadores, nossos ilustres edis, pois pelo que vi, li e ouvi estão de pleno acordo, desde que não cortem nada na própria pele, claro, a das benesses concedidas a alguns deles. Ou seja, apoio da boca pra fora, mas que ninguém venha propor ceifar os muitos cargos comissionados que alguns desses mantém dentro da estrutura municipal. O mais sensato, poderia me perguntar: ‘Mas vereador não é pago para fiscalizar? E se o é, como pode querer fiscalizar com gente sua atuando nas hostes da Prefeitura?’. Sim, mas tudo tem dois lados, responderia assim de bate pronto”.

Evidente que em tudo é impossível a generalização, pois existem vereadores não se beneficiando dessa forma de apoio, o do toma lá dá cá, ou seja, eu emprego seus amigos e você me apoia. Esses, para não serem colocados no mesmo balaio, precisam vir a público e demonstrar não compactuar com a esbórnia. “Na sessão da última segunda, o espetáculo teatral continuou a pleno pulmões, falatório dos mais impactantes, com muitos desdizendo da Prefeitura ou se fazendo de bobos com o tema passando longe de sua fala. A ação desses é aquilo que se denomina ali nas rodas de conversa da praça D. Pedro, ali defronte o prédio da Câmara em, JOGAR PARA A TORCIDA. A estratégia é das mais simples, eu finjo participar e você, claro, finge que vai cortar. Até corta, mas nada meu, estamos combinados?”, conclui Guardião.

Nos próximos capítulos, com a corda no pescoço, o prefeito precisa se posicionar e esclarecer se, vai mesmo chacoalhar a roseira, ou seja, levar a sério a reestruturação, pois do contrário, algo de mais sério pode vir a acontecer. Guardião encerra a conversa falando disso: “Circulam boatos de que, do jeito que está, talvez em poucos meses a Prefeitura não tenha nem mais caixa suficiente para continuar bancando os salários, quanto mais outros compromissos. Isso já pode ser constatado nos postos de saúde praticamente prontos, porém fechados e aguardando o gasto final, gente ali trabalhando. A grana anda muito curta. Aguardo ansioso a próxima sessão da Câmara e as próximas canetadas do prefeito para ver se ele leva isso mesmo a sério ou vai jogar pra torcida e contemporizar. E aguardo também o pronunciamento dos vereadores não participantes desse toma lá, dá cá, encurralando seus pares para dar fim na esbórnia. Nos próximos capítulos, veremos se o prefeito quer de fato começar a governar essa cidade ou tudo vai continuar como dantes no quartel de Abrantes. Na roda de apostas ali na praça Rui Barbosa, entre os que jogam dominó, as apostas estão cada dia mais altas. Preciso dizer pra que lado pendem a maioria delas?”. E dá por encerrado o assunto, saindo para sobrevoar a cidade, preocupado com assuntos outros.

OBS.: Guardião é criação do artista Leandro Gonçalez com pitacos deste mafuento HPA.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (121)


COMO A PREFEITURA TRATA A “REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA” – UMA PAUTA MAIS QUE JORNALÍSTICA
O plenário do Senado aprovou na semanas atrás, por 47 votos a 12, por meio de mais uma MP – Medida Provisória, a de número 759, essa tratando da regularização fundiária, promovendo alterações estruturais em legislações do campo e da cidade. A medida segue agora para aval de Temer, que pode sancionar o texto na íntegra ou apenas trechos dele. Como tudo segue sendo aprovado nos costados do povo, o certo é que, deve estar adentrando a área e com grande possibilidade de mais um gol contra os interesses populares. Explico.

Para entender o assunto se faz necessário dar uma acompanhada no que já foi publicado a respeito na imprensa:
1 - http://www.jcnet.com.br/…/bauru-aval-para-ter-areas-da-unia…
2 - https://www.nexojornal.com.br/…/A-MP-da-regulariza%C3%A7%C3…
3 - http://justificando.cartacapital.com.br/…/senado-aprova-mp…/
4 - https://www.brasildefato.com.br/…/oposicao-sai-do-congress…/

Resumindo tudo em poucas linhas, se trata disso: “Em vez de ser dada uma concessão para que a terra seja utilizada de acordo com sua função social e de forma hereditária, como se dá hoje, o governo passa a dar uma titulação. A nova modalidade, entre outras coisas, permite que o lote seja vendido a terceiros. A proposta também concede anistia a desmatadores e grileiros e faculta a vistoria que precisa ser feita para a comprovação do cumprimento das obrigações por parte do posseiro. Já na área urbana, a medida flexibiliza a regularização de loteamentos e condomínios fechados de alto padrão e extingue o licenciamento ambiental diferenciado para áreas consideradas de interesse social. Também revoga os dispositivos que obrigam loteadores irregulares de terras públicas a adotarem medidas corretivas, repassando essa competência ao poder público, que fica impedido de ser ressarcido pelo dano”.

Sou procurado pela estudante de Jornalismo Caroline Mazzer de Souza Polito com essa pauta nas mãos e com essa proposta a ser seguida, pedindo minha resposta por escrito.: “Evidenciar os prós e contras da aprovação dessa medida. Mostrar que, se por um lado ela promete facilitar a concessão de títulos de terras públicas ocupadas irregularmente, por outro, a proposta também facilitaria a regularização de terras, sem a devida comprovação de que a pessoa ocupa o terreno, o que poderia incentivar a prática de grilagem. A proposta geral é evidenciar os possíveis interesses envolvidos na aprovação dessa medida, e qual a repercussão para movimentos como o MST, que aguardam a reforma agrária. O tema é de nível nacional, mas para facilitar a contextualização regional e o acesso as fontes, se abordará em nível da cidade de Bauru”.

Respondo ao questionamento da seguinte forma:
Meu interesse nesse momento é acompanhar como a Prefeitura Municipal de Bauru, através da SEPLAN – Secretaria Municipal de Planejamento, na pessoa do prefeito Clodoaldo Gazzetta e da secretária da pasta Letícia Rocco Kirchner estão pensando em tratar o assunto. O atual Governo Federal tem claro liberar tudo para a especulação imobiliária, ou seja, a realização de negócios favorecendo grupos econômicos, tudo em detrimento do trabalhador. Não espero nada, mas nada mesmo de bom vindo deste Governo a favorecer a classe trabalhadora e os movimentos sociais. O alerta deve estar mais do que ligado e todos os envolvidos nas questões relacionadas com a reforma agrária já estão se movimentando para impedir que o pior aconteça. Quanto a Bauru, muito simples, o prefeito tem uma batata quente nas mãos, pois selou compromisso com mais de 800 famílias assentadas em área praticamente urbana e tem prazo para resolver o problema. Ficou de arrumar local para abrigar todos e sofre enorme pressão para atender interesses dos especuladores, esses sempre muito atuantes na cidade. Algo que, deveria em princípio atender interesses populares pode estar sendo desviado e atenderá o interesse de uns poucos. Acompanhar cada detalhe, não permitindo que isso ocorra é papel de todos os interessados na solução dos graves problemas sociais que o país atravessa. Como existe pressão de todos os lados e nos dias atuais, sem ela, tudo se perde, creio que essas terras, quando repassadas ao município só chegarão às mãos dos menos favorecidos com muita luta. Mas muita luta mesmo.

Como sei que ela já deve estar finalizando sua matéria, com certeza já procurou ter outros interessados no assunto, para responder de que forma a MP irá facilitar o recebimento de terras da União pelo município e também se essa medida prejudicará o processo de assentamento de terras.

terça-feira, 20 de junho de 2017

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (143)


EXEMPLOS BEM LATENTES DE COMO ATUA CERTO SEGMENTO RELIGIOSO

EXEMPLO 1
ZÉ ROLINHA ENCERROU MELANCOLICAMENTE SUA CANTORIA*

* Artigo seguindo para publicação também n'O Alfinete, o 7º no agora jornal virtual de Pirajuí SP, cidade muito próxima de Reginópolis, aqui retratada:

Eu acabei tendo um relacionamento incestuoso com Reginópolis. Tempos atrás, mas precisamente em 2011, convidado pelo amigo Fausto Bergocce, realizamos em parceria o livro “Reginópolis, sua História” (ainda tenho exemplares, R$ 40 cada). Escrita e pesquisa de minha responsabilidade e a belezura das ilustrações (a maioria toda em aquarela), obra impagável do Fausto. Foi um sucesso (pelo menos por lá, cidade de pouco mais de 3 mil habitantes). Acabei me tornando um cidadão reginopolense e vez ou outra acabo sempre voltando, lugar de inúmeros amigos (as). Muitos deles reencontro aqui pelas ruas de Bauru e as conversas são intermináveis. Acompanho à distância muito da história da cidade, pelo que sai na imprensa e nas redes sociais. Ou seja, Reginópolis faz parte de minha vida, me interessa e, acredito, nunca mais deixarei de ter um relacionamento carnal, desses de eterno amor.

Ontem à noite recebo ligação do Fausto e com uma triste notícia: “Henrique, a notícia não é boa. Faleceu o Zé Rolinha”. Um silêncio se interpôs no diálogo e até a respiração se recompor deu-se um tempo. Um filme passou pela minha cabeça. Zé Rolinha, ou como queiram, Carlos Roberto de Souza Lima. Foi radialista uma vida inteira e dons bons, ligação umbilical com a cultura caipira. Cada cidade possui aqueles tipos populares encantadores, caso de amor à primeira vista. Logo nas primeiras visitas para entrevistar as pessoas, algo a me chamar a atenção foi a rádio comandada pelo Zé, a 104,9. Ele mantinha uma espécie de museu na avenida principal da cidade e bem no meio do seu comércio, ou seja, a rádio funcionava junto com uma exposição permanente de LPs e algo mais da cultura sertaneja, além de um palco onde aos domingos o programa ocorria ao vivo.

Quando a coisa deu aquela apertada financeira, de lá saiu e foi se instalar em sua casa, perto do cemitério. Ali fazia tudo, estúdio e a comida da família (ele também mantinha uma dupla sertaneja com a esposa). Estive em ambos os lugares, minha parada obrigatória nos retornos à cidade. Por lá também, outro prócer do radicalismo local, o Pardal (ambos com nomes de pássaros, uma lindeza). Ele entrevistou a mim e ao Fausto várias vezes pelas ondas do rádio local, tudo ao vivo e a cores. Enfim, o livro foi lançado, muito falado nas ondas da rádio e tempos depois tomo conhecimento da tristeza. A rádio que era comunitária e não tinha como ser vendida, mas o foi e para uma igreja evangélica. Ou seja, deram um jeito de enterrar o sonho de uma rádio séria na cidade e Zé Rolinha teve que bater asas. Tristeza de doer fundo na própria carne, mais que na alma.

E lá se foi ele, retornando para sua Ibitinga. A diabetes já comprometia sua saúde e as notícias recebidas com o passar do tempo não eram nada boas. Teve que amputar parte de um dos pés e logo a seguir estava praticamente cego, ou seja, o grandalhão, do vozeirão de trovão estava acabrunhado e estar longe dos microfones apressou seu fim. Tristeza mata mais do que doença. Tenho absoluta certeza, o Zé morreu triste e isso entristece muito quem o conhecia. Guardo inesquecíveis imagens dele na plenitude de seu ofício e isso me conforta. Dele eu escreveria laudas e laudas, pois é gente do povo, um simplão danado de bom, com muito gás, gogó afinado e falando sempre das coisas do povo e para o povo. Lembro também dele, com seu velho carro percorrendo as ruas da cidade e seus anúncios sendo espalhados pelo autofalante amarrado com corda no teto. Versátil nas tentativas de sobreviver.

O Zé agora canta em outras paragens. A rádio de lá, certamente, nem a notícia deve ter dado, pois está mais preocupada em arrebanhar ovelhas e não tecer loas para gente que dava voz ao povo. Eu escrevo dele por aqui, para que saibam do reconhecimento que tinha pelo seu trabalho, muito mais digno do que o de muito grandão, cheio de pompa e com os olhos fechados para as dores e clamor dos grotões de uma cidade. Zé Rolinha possuía imensa sensibilidade humana, até por ser ele próprio uma lasca desse povo, resistindo a isso tudo imposto de cima para baixo sob os nossos costados. É, sem sombras de dúvidas, das melhores lembranças que trago lá da danada Reginópolis.


EXEMPLO 2
“OS MORALISTAS SÃO OS PIORES”, REPITO E REAFIRMO
Um senhor foi friamente assassinado esta semana em Bauru, quando ao sair de um culto religioso se dirigiu para casa de uma mulher com a qual mantinha relacionamento amoroso e ali, por motivos ainda não muito bem esclarecidos, acabou perdendo a vida. O caso foi assim noticiado pelo Jornal da Cidade, aqui de Bauru SP: http://www.jcnet.com.br/…/homem-desaparecido-e-encontrado-m… . Morte em qualquer circunstância gera tristeza. Guardadas toda a precaução que o caso requer, comento a seguir outro desdobramento e interpretação, sobre a religião professada pelo mesmo.

Recebo hoje pela manhã em casa um evangélico, pertencente a ala moderada e declaradamente antigolpista. Me diz um algo mais da religião a qual o referido senhor pertencia, a Congregação Cristã do Brasil. Segundo ele, uma das mais conservadoras do país, pois se reunem e julgam os seus em algo muito parecido com tribunais. Fui pesquisar e constatei ser das mais rígidas, vide o que se pode ler neste link: http://www.genizahvirtual.com/…/congregacao-crista-no-brasi…. Dele extraio esse trecho bem significativo: “Caso seja pego em prática de adultério, o membro é destituído de suas obrigações na Igreja e evita-se qualquer tipo de contato com ele – isso porque, segundo eles, o adultério é um pecado contra o Espírito Santo ao qual não existe possibilidade de perdão”.

Num outro texto sobre eles, esse aqui: http://apologtica.blogspot.com.br/…/normal-0-21-false-false…. Eis mais um trecho significativo sobre sua ação: “A CCB, como tantas outras seitas, acredita que só eles estão certos, só eles são salvos; afirmam, também, que as demais igrejas evangélicas pregam mentiras e que não há salvação para aquele que não é batizado na Congregação Cristã. Tais homens são chamados de orgulhosos e ignorantes pela Bíblia, pois apesar de nada entenderem sobre Cristo, estão envaidecidos com a idéia de serem sábios (1 Tm 6. 4), fazendo com que muitos crentes abandonem a simplicidade da fé cristã (1 Tm 6. 4). Jesus classificou tais tipos de pessoas como hipócritas, que ensinam preceitos humanos ao invés da verdade Divina (Mc 7. 7-8).”.

Por fim, o que me faz escrever sobre eles está neste texto aqui linkado: http://ccbnomundo.webnode.com.br/organiza%C3%A7ao/. E o trecho é este: “As mudanças de caráter doutrinário na Congregação Cristã no Brasil são discutidas em assembleia anual e pelo Conselho de Anciães, que é formado pelos anciãos mais antigos no ministério e não necessariamente de idade. Nestas assembleias são considerados Tópicos de Ensinamentos, os quais, tomados em reuniões e por oração, tratam de assuntos relacionados à doutrina, costumes e comportamento na atualidade.”.

Finalizo com algo contundente de religiões como essa. Eles possuem um Conselho de Anciãos, que se reúnem regularmente num lugar pré-determinado e ali decidem sob o futuro de alguns fiéis infratores. É uma espécie de inquisição, onde esses possuem o poder de decidir sobre os demais e aplicar duras penas pelas mínimas infrações ao que seguem e dizem ser o caminho correto. Daí, uma pessoa sai de sua cidade e vem se reunir com os demais para aplicar penas aos que só estão na igreja para cumprir ordens. Vez ou outro o destino faz com que algo ocorra para reorientar caminhos e descaminhos. Tenho comigo que, moralistas quando reunidos com a finalidade de punir, julgar, orientar, prescrever, algo não muito salutar é decidido nessas ocasiões. Eis alguns bons motivos para me manter bem distante de religiões com esse cunho. Enfim, concluo com algo de minha prática, prefiro continuar sem moral nenhuma

segunda-feira, 19 de junho de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (104)


EU QUERO ESCREVER DO MÁRIO...

Eu ando nas ruas, sempre gostei dos seus personagens. Tem um que acabou de falecer e hoje, pesquisei, perguntei, assuntei, forcei a cuca, mas não consegui me lembrar de seu nome inteiro. Minha mais remota lembrança dele vem lá dos idos de 2005 em diante. Seu nome é MÁRIO e morava lá nos altos da rua Floresta, junto de uma artesã, que foi muito amiga de minha mãe. O conheci assim e até então, nos cumprimentávamos pelas ruas. Algumas vezes, nas muitas trombadas da vida eu parava e conversava sobre esses assuntos todos de vidas atribuladas.

Mário foi jogador de bola, boleiro, contava histórias das vezes em que corria por esse mundão atrás da bola. Eu gostava de vê-lo falar. Foi também ferroviário e mais histórias. Lembro vagamente de algo com referências a um acidente, ele afastado de suas atividades, uma aposentadoria não conseguida e a tentativa de levar a vida mais adiante fazendo outras coisas. Um tipo bem característico, figura marcante, sempre com aquele jeito mirrado, magro, retinto e cheio de ginga. Sim, o Mário era um cara desses que você batia os olhos e enxergava ali uma ginga fora do comum. Um tipico jeito de malandro, daqueles que quando deixam de existir, não existem mais peças de reposição no mercado para substituí-los.


Gosto de gente que tem ginga, jeito malemolente de levar a vida. Vão driblando às adversidades ao seu modo e jeito. Sua mais famosa atividade desde aquela época foi a de tocar adiante a Associação dos Camelôs de Bauru. Pelo que saiba ele não tinha banca. Confesso que nunca o vi vendendo nada pelas ruas da cidade, mas era o tal que dizia estar organizando a categoria. Foi sempre muito contestado por causa disso, enfim, a tal associação acho que nunca saiu do papel e ele regiamente circulava entre os que trabalhavam nas calçadas de Bauru. Vivia disso. Nem sei como, nem sei se alguém contribuía ou era mesmo forçados a contribuir. Não o via como um sujeito violento, agressivo. Meus encontros com ele sempre se deram nas calçadas bauruenses, tendo como pano de fundo os camelôs.

Semana passada um amigo me diz ter ele falecido. Diz algo de ter ficado esperando vaga no Hospital Estadual. Critico e muito a ação desse hospital, mas sei que ninguém espera vaga lá nos seus corredores. Indo para lá, a tal vaga já está garantida. Não sou daqueles que critica o serviço público de forma gratuita, pois sei do valor existente e de tudo o que podemos estar perdendo nos próximos dias com esses golpistas no poder. O fato é que Mário já não estava bom, isso vinha de longe, para alguns diletos ele descrevia suas agruras e quando foi para lá, seu estado era irreversível. Não foi por falta de vagas que veio a falecer. Sei que muito do que ocorre dentro dos hospitais públicos é até de melhor qualidade do que nos privados, feito com mais calor humano e até sensibilidade. O fato é que o Mário se foi.

O homem do bonezinho no cocorutcho puxado para um dos lados não mais será visto, perambulando pelas ruas do centro de Bauru. Tem quem bata palmas e quem sentirá falta de sua presença. Eu já sinto falta de muita gente nessa região, desde o pastor da praça, o Marcão, filho do ex-prefeito que morreu na zona, o Rebuá e seu falatório nas esquinas, o mendigo Jucelino que voltou para Itaqui lá no Rio Grande do Sul, aquele meninão negro gordo que vivia sentado defronte um restaurante ali na praça Rui Barbosa, o tocador de violino nas igrejas e sua lambreta, o barbudo que guardava nossos carros lá do lado de fora do SESC... Tem muita gente chegando para ocupar o espaço desses e outro tanto batendo em retirada. Hoje foi o Mário. Para mim podem falar o que quiserem dele, mas confesso sem medo de ouvir besteira, vai fazer falta. Ainda bem que tirei algumas fotos dele, pois se nem o sobrenome eu consegui lembrar por inteiro, foto então, se não fossem essas, cairia no esquecimento num vapt-vupt.

Quem souber algo mais dele, aproveite o momento, desembuche... 
OBS.: As fotos aqui publicadas foram tiradas por mim no ano de 2008, quando ele foi até o Museu Ferroviário presenciar uma exposição e lá se encontrou com outro rico personagem das ruas, o índio Tibúrcio (também já falecido). Também por lá o militar da reserva, ex- preso político e exilado Darcy Rodrigues (esse bem vivo, mas saindo pouco de casa), o braço direito do capitão Lamarca.